Freak, as in freakdom

Um blag sobre cultura, política, memes e… software livre!

Arquivo de novembro, 2010

Qual é o melhor CAD livre?

Hoje recebi um e-mail do Hilton Fernandes, hacker e colega da Poli, perguntando sobre a melhor opção em software livre para CAD. A verdade é que não há um, mas alguns CADs livres que se adequam a diferentes tipos de projetos. É claro que nenhum CAD livre cobre todas as funcionalidades de programas proprietários como o AutoCAD, já que são todos relativamente recentes, mas com certeza já são robustos e completos o bastante para as necessidades de grande parte dos usuários.

Freecad 0.10

Modelagem 3D no Freecad 0.10

O QCAD, licenciado sob a GNU GPLv2, é o mais conhecido – talvez por já estar há bastante tempo no repositório das principais distribuições, talvez pelo uso nativo de DXF, bem compatível com AutoCAD -, mas é adequado apenas para projetos simples de arquitetura e engenharia civil, já que é limitado a desenhos 2D, e também tem funções básicas de design de circuitos elétricos. Mas o maior problema é que a sua versão mais atual é sempre proprietária (QCAD Pro) e a versão livre (Community) é uma versão ultrapassada. O QCAD Community mais recente é de 2005 e, pelo que ando ouvindo, a Ribbonsoft, empresa responsável por todo o desenvolvimento, não vai mais lançar a versão Community. Além disso, no Community eles simplesmente removem ferramentas como polyline.

A falta de uma comunidade – pois a Ribbonsoft sempre fez o desenvolvimeto internamente – é outro grande problema do QCAD. Até pouco tempo ninguém se aventurara a fazer um fork porque (esperava-se que) logo a versão Pro seria liberada como Community assim que houvesse um novo lançamento. Com a cada vez menor frequência de lançamento e os rumores de que não haveria mais uma versão livre, surgiu o Caduntu, que atualizou para o Qt4 e incorporou patches de outros derivados já mortos. O Caduntu é multiplataforma: funciona em GNU/Linux, Windows e Mac.

O FreeCAD também é interessante, e está recebendo novos recursos muito rapidamente. Ótimo para trabalhar com 3D – o que não dá pra fazer com o QCad e derivados. No entanto, o Yorik van Havre (que é belga mas mora no Brasil e já apareceu em reuniões do PoliGNU) tem feito várias melhorias ao módulo 2D. Talvez não seja o mais utilizável ainda, mas é o mais promissor. Assim como o Caduntu, o FreeCAD também é multiplataforma. Entre outras qualidades, ressalto a facilidade de criar extensões em Python e de automatizar tarefas com macros.

Sonda espacial Cassini renderizada no BRL-CAD

O BRL-CAD é muito avançado para projeto mecânico 3D (tem até cálculos de balística), e é desenvolvido pelo exército americano há 25 anos, mas a interface gráfica praticamente inexiste na versão estável, mas está em desenvolvimento.

O suporte a importação de arquivos no formato DWG, muito popular por ser o padão do AutoCAD, ainda é uma deficiência em todos eles. Identificamos isso há mais de um ano nas pesquisas que o PoliGNU realizou no Projeto CAD Livre, em parceria com o Escritório Piloto, e colocamos a mão na massa. Esperamos que em breve a LibreDWG esteja estável* e pronta para ser incorporada nesses softwares.

*Já é possível importar arquivos DWG no GRASS, um software livre de georreferenciamento. Farei um post sobre isso em breve.

As imagens são de propriedade de seus respectivos autores.

1 comentário

Escrito por Rodrigo R. Silva

novembro 17th, 2010 at 1:10 am

Publicado em CAD,Engenharia

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Software Livre, Open Source e Open Core

O anúncio de lançamento da última versão do Linux-libre, uma versão limpa – isto é, livre de software proprietário na forma de blobs, pequenos trechos de código binário, geralmente proprietário – do kernel Linux, alerta mais uma vez para o perigo que esses pequenos trechos de código não-livre apresentam à liberdade do usuário.

No entanto, o que me chamou a atenção nesse anúncio é a referência a um post (leia!) do Simon Phipps dizendo, resumidamente, que Open Core não é bom para a liberdade do usuário, algo que eu não esperaria de alguém da OSI (Open Source Initiative).

Seria uma mudança de posição dentro do Open Source? Afinal, muitos defensores do Open Source assumem (ou ao menos assumiram) que o software proprietário poderia conviver com o software livre. Não seria o Open Core a materialização dessa suposta convivência?

Esse é um dos principais motivos que me levam a apoiar o Software Livre em detrimento do Open Source. É inegável que diversos pontos do discurso Open Source fizeram a diferença na adoção do software livre nas empresas, mas deixar a liberdade de lado (ou admitir que ela possa ser deixada de lado) foi um erro histórico.

Mudança institucional ou não, vejo com bons olhos uma reaproximação do Open Source aos princípios que fundaram o movimento Software Livre. Nada mais lógico, afinal as vantagens práticas defendidas pelo Open Source derivam diretamente das 4 liberdades fundamentais pregadas pelo Software Livre.

Este texto pode ser redistribuído em sua forma integral, sem modificação, conforme os termos da Creative Commons Atribuição-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.

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Escrito por Rodrigo R. Silva

novembro 9th, 2010 at 4:41 am