Freak, as in freakdom

Um blag sobre cultura, política, memes e… software livre!

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Da prateleira ao público

Este é um artigo que escrevi em agosto de 2007, e foi publicado em meu defunto blog no Stoa e posteriormente no jornal O Politécnico. Reproduzo-o integralmente abaixo. Pode ser que ele não represente exatamente minhas opiniões atuais, mas a essência é a mesma.

A difusão da cultura e do conhecimento em nossa sociedade baseia-se, desde a eclosão da Revolução Industrial, em uma estrutura top-down, isto é, hierarquizada e fechada, proprietária. Somos seres passivos em frente a um tubo midiático de mão única. Consumimos os produtos culturais assim como consumimos uma lata de cerveja: vamos ao supermercado, escolhemos uma cerveja dentre diversas na prateleira, apertamos alguns botões e pagamos. Vamos ao canal pay-per-view, escolhemos o programa, apertamos alguns botões e pagamos – e sem sair de casa!

No entanto, o recente advento das mídias digitais e dos meios de comunicação de banda larga trouxe novas perspectivas à produção cultural e sua distribuição. O poder democratizante da Internet coloca nas mãos de (ainda poucos) cidadãos comuns ferramentas de produção, colaboração, distribuição, ensino e aprendizagem. O acesso a essas ferramentas abre caminho para novas formas de interação entre o artista e o espectador que extrapolam a relação produtor/consumidor desenvolvida ao longo do capitalismo, que chega ao seu ápice no início deste milênio.

Esta mesma visão pode ser aplicada à produção de conhecimento científico. O mercado de royalties e patentes limita o acesso ao conhecimento com base em leis que, originalmente, foram criadas para incentivar seu desenvolvimento e proliferação. Hoje, o acesso ao conhecimento está diretamente relacionado ao poder de compra, assim como a cerveja e a cultura. No entanto, a cerveja é um objeto que necessita de um processo industrial para se “reproduzir”. A cultura e o conhecimento, por sua vez, não são bens materiais e, excetuando-se eventuais custos de mídia, podem ser disseminados sem qualquer ônus.

As universidades públicas, instituições que deveriam promover a livre difusão do conhecimento nelas produzido para a sociedade, escondem-no através de aparatos que fazem uso questionável dessas leis, criando barreiras econômicas e enviesando a pesquisa em nome do lucro pretendido por quem as financia. Desse modo, assim como na cultura, existe uma promíscua relação de produtor/consumidor entre a universidade e a indústria.

A sociedade cobra da universidade respostas a seus problemas, enquanto esta rende-se a quem pode pagar mais. As indústrias fonográfica e cinematográfica insistem em um modelo de distribuição falido. Enquanto as práticas culturais da indústria caminham na contramão do desenvolvimento e da democratização do conhecimento, as perspectivas trazidas pela Internet e pelos meios digitais apontam para a possibilidade de novas formas de propriedade intelectual. Cabe à universidade cumprir seu papel público de discutir e promover esses novos modelos.

Este texto pode ser redistribuído sob os termos da licença cc-by-nd.

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Escrito por Rodrigo R. Silva

janeiro 13th, 2010 at 6:06 pm

Publicado em Cultura,Política

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BSD vs GPL

Uma discussão sobre a LibreDWG na lista de e-mail dos alunos da Engenharia de Computação da Poli caiu, como quase toda discussão sobre software livre por lá, em um embate entre licenças GPL-like e BDS-like (estaremos criando nossa própria instância da Lei de Godwin?). Enfim, mexeu-se no vespeiro e começamos a discussão. A discussão deu-se, basicamente, em torno de um argumento: “A BSD é mais livre que a GPL”.

Mas como é possível afirmar que a BSD é mais livre se, no final das contas, o objetivo de quem a usa ou promove é (ou implica em) tirar a liberdade (o acesso ao código fonte modificado e o poder de redistribuição) dos seus usuários finais? Desse modo, eu concordo que a BSD seja mais liberal no âmbito individual, para o sujeito que recebeu o código sob aquela licença, mas para o conjunto de usuários como um todo ela não é mais livre, não é estratégica, não promove a liberdade ativamente.

E, obviamente, GPL e BSD’s tem ao menos um objetivo distinto, na minha opinião: a GPL busca promover ativamente e garantir as liberdades do usuário; a BSD, por outro lado, tem um compromisso com a viabilidade econômica do software*. Eu não vejo cenários onde a BSD seja mais vantajosa do que a GPL do ponto de vista do software livre. Em geral, ela só é vantajosa se tem-se em mente fazer software proprietário.

Desse modo, acredito que não haja acordo (essa é melhor, aquela é melhor), pois são licenças com objetivos diferentes escritas por pessoas com objetivos diferentes. Ambas cumprem muito bem seus papéis.

* Como se software livre não fosse modelo de negócio. Aliás, acho um erro a dicotomia software livre x software comercial que em geral é propagada por algumas empresas “open source”. Quem faz esse tipo de comparação está cometendo um enorme erro conceitual.

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Escrito por Rodrigo R. Silva

dezembro 15th, 2009 at 2:09 pm

Publicado em Política,Software Livre

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